Doação de Medicamentos

Medicamentos dentro do prazo de validade podem ser doados no Hospital Militar ou na Igreja do Rosário
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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Técnica de encapsulação errada



Existem tantos absurdos na internet que as vezes fico com medo.
E se alguém assiste a este vídeo achando que é assim que se faz mesmo? Que horror!!!

Quantos erros heim!

Jaleco de manga curta - o cara perdendo pêlos sobre as cápsulas;
Atirou o pó de qualquer jeito, perdendo pó nos orifícios que não continham cápsulas;
Compactou muito forte o tabuleiro, e pior, em apenas um lado;
Algumas cápsulas nitidamente ficaram com pouco pó - imaginem o peso médio destas cápsulas;
Limpou as cápsulas numa touca, isso mesmo numa TOUCA!!!
Rotulou, tarjou e lacrou o pote - pelo jeito não teremos controle de qualidade - UFA!!! nos livramos do peso médio!!! Hehehe!!!
Musiquinha de fundo - tudo bem, nada contra - mas o problema é que não escuto o barulho do exaustor, que é sempre be forte.

E o bigodinho, cavanhaque.... É indispensável que um auxiliar de manipulação masculino faça a epilação completa do rosto diariamente.

Deus queira que este "vivente" não seja um Farmacêutico.

Eta farmacinha vagabunda esta! E o pior é que sabemos que existem muitas como esta ou ainda piores... Infelizmente não existe fiscalização.

Procure sempre conhecer os profissionais que trabalham na sua farmácia de confiança. Assim você não correrá o risco de colocar a sua saúde no lixo.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Manipulação de cápsulas com Pantoprazol




A forma química empregada é o pantoprazol sódico sesquiidratado, cuja fórmula química é C16H14F2N3NaO4S x 1.5 H2O, apresentando um peso molecular de 432,4.

Para fins de cálculos no preparo de medicamentos com este fármaco, a concentração é expressa em termos de pantoprazol base. Portanto, deve-se empregar o fator de equivalência de 1,13 quando da utilização do pantoprazol sódico sesquiidratado.

O pantoprazol sódico sesquiidratado é um pó cristalino branco ou quase branco disponível na forma racêmica, facilmente solúvel em água e muito pouco solúvel em tampão fosfato em pH 7,4, e praticamente insolúvel em n-hexano.

A estabilidade deste composto em solução aquosa é pH dependente. A taxa de degradação aumenta com a diminuição do pH. Em temperatura ambiente, a meia-vida de degradação é aproximadamente de 2,8hs em pH de 2,8 e aproximadamente de 220 horas em pH de 7,8. Devido ao seu perfil de estabilidade, formas orais de pantoprazol devem ser tamponadas em pH alcalino e/ou revestidas com polímeros gastrorresistentes para resistirem sem alteração nas condições de pH gástrico. Sugerimos a seguir uma formulação de excipiente tamponado para cápsulas duras com pantoprazol. Adicionalmente, é necessário o revestimento entérico das cápsulas preparadas.

Sugestão de excipiente para o pantoprazol
Bicarbonato de sódio....................5%
Lauril sulfato de sódio....................1%
Dióxido de silício coloidal (Aerosil(r)200) .............2%
Estearato de magnésio....................1%
Celulose microcristalina....................30%
Manitol....................qsp....................100%

OBS: Usar o excipiente como qsp para enchimento de cápsulas contendo o pantoprazol. Posteriormente, revestir as cápsulas com polímero gastrorresistente apropriado.

Referências:
1.RxList – The Internet Drug Index: http://www.rxlist.com/protonix-drug.htm

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Incorporação de enxofre precipitado em emulsões, pomadas e suspensões tópicas



O enxofre precipitado apresenta-se normalmente como um pó muito fino, de cor ‎amarelada, com leve odor característico e insípido. Ele é insolúvel em água, muito pouco ‎solúvel em álcool, éter, glicerina e óleos graxos. Apresenta o ponto de fusão de cerca de ‎‎120o C. Oxida-se quando exposto ao ar, devendo ser acondicionado em embalagem bem ‎vedada e protegida da luz (ex.frasco de vidro âmbar).‎

Para incorporar o enxofre em emulsões é conveniente levigá-lo previamente com ‎quantidade suficiente de polissorbato 80 (Tween 80), formando uma pasta fina. Em ‎seguida, adicionar em porções geométricas a base emulsionada desejada sob trituração ‎ou espatulação.‎

Em pomadas convém incorporá-lo levigando-o com quantidade suficiente de ‎vaselina líquida. Em seguida, adiciona-se geometricamente a pomada base sob trituração ‎ou espatulação.‎

Para incorpora-lo em suspensões em fundamental o uso de agente umectante (ex. ‎glicerina, propilenoglicol) para evitar que o mesmo fique como sobrenadante da na ‎preparação. Levigar previamente o enxofre com quantidade suficiente do agente ‎umectante e em seguida incorporar o veículo suspensor aos poucos e sob mistura.‎

Referência: Fernández-Montes, E.A. Técnicas y Procedimientos en Formulación ‎Magistral Dermatológica. Madrid: E. Aliá, 2005.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Manipulação de formas farmacêuticas com Cafeína




A cafeína (1,3,7-trimetilxantina : C8H10N4O2) é um estimulante do sistema nervoso central e diurético, sendo também aplicada externamente em formulações lipolíticas (inibição da fosfodiesterase), no tratamento da dermatite atópica e da psoríase.

A cafeína é incompatível com soluções alcalinas; taninos e preparações que o contenham; iodo e suas preparações; permanganato e cromatos; cloro; água clorada; hipocloritos; antipirina; cloral; brometos; barbitúricos; epinefrina; sais de prata; xarope iodotânico e com iodeto de ferro.

A cafeína anidra apresenta-se como pó cristalino, branco, inodoro e de forte sabor amargo com a faixa de fusão entre 235o e 239o C e pKa próximo a 13. A cafeína é solúvel em 60 partes de água fria, em 1 parte de água quente, em 130 partes de álcool 96o GL e em 7 partes de clorofórmio, sendo pouco solúvel em éter. A solubilidade da cafeína é aumentada pela adição de ácido cítrico, com a formação do citrato de cafeína. Entretanto, na presença de substâncias tampões (ex. sais de ácidos fracos) a acidez do ácido cítrico pode ser reduzida suficientemente para levar a uma redução considerável na solubilidade de cafeína. A mistura 1:1 de cafeína e benzoato de sódio é solúvel em água.

A aditivação de cafeína em formas farmacêuticas pode ser influenciada diretamente pela baixa solubilidade deste fármaco, principalmente em situações onde seja desejável que o mesmo encontre-se completamente solubilizado no veículo ou excipiente (ex. preparações líquidas, formas farmacêuticas semi-sólidas). Portanto, a solubilização completa da cafeína é uma forma de obter preparações homogêneas e estáveis. A seguir, relacionamos algumas considerações técnicas para solubilização e/ou incorporação em diversas formas farmacêuticas:

• Emulsões (loções cremosas e cremes): a cafeína pode ser dissolvida na fase aquosa aquecida durante o próprio processo de preparação da emulsão. Em caso de aditivação em base galênica já pronta, a cafeína pode ser levigada com quantidade suficiente de propilenoglicol ou etoxidiglicol (Transcutol) ou dissolver em quantidade mínima de água aquecida com a proporção 1:1 de cafeína e benzoato de sódio.
• Pomadas: em bases hidroabsorventes proceder conforme orientação dada para emulsões.
• Géis: dissolver em quantidade mínima de água aquecida com a proporção 1:1 de cafeína e benzoato de sódio.
• Preparações orais líquidas: misturar previamente quantidades equivalentes de cafeína anidra e ácido cítrico anidro e dissolver em quantidade suficiente de água.



Referências:
1- Fernández-Montes, E.A. Técnicas y Procedimientos en Formulación Magistral Dermatológica. 1ª ed. Madrid:E. Aliá, 2005.
2- Trissel, L.A. Trissel’s Stability of Compounded Formulations. 3rd ed. Washington, D.C.: American Pharmacists Association, 2005.
3- Cavalcanti, L.C. Incompatibilidades Farmacotécnicas. 2a edição. São Paulo: Pharmabooks, 2008.

domingo, 26 de julho de 2009

Manipulação da Hidroquinona em formas semi-sólidas

A hidroquinona (1,4-benzenodiol) é um agente despigmentante da pele. É utilizada topicamente no tratamento de despigmentação de manchas dermatológicas como melasmas, sardas, lentigos senis, hiperpigmentação pós-inflamatória, dermatite de berloque (causada por determinados tipos de perfumes).

A hidroquinona atua como um substrato da tirosinase, competindo com a tirosina e inibindo a formação de melanina. A hidroquinona é um dos despigmentantes mais utilizados na terapêutica dermatológica veiculada como monodroga ou em associação com outros ativos (ex. ac. retinóico, ác. Glicólico, corticóides etc) nas mais diversas formas farmacêuticas de uso tópico tais como loções, cremes e géis.

A concentração usual de hidroquinona varia de 2 a 10%. De modo geral para produtos que se destinam a aplicação facial a concentração normalmente utilizada varia de 2 a 5% e para aplicação no tronco e extremidade de 6 a 10%.

Ocasionalmente a hidroquinona pode provocar irritação da pele, com eritema ou até erupções, ocasião que o tratamento deve ser interrompido. Não deve ser utilizada próxima aos olhos, em lesões cutâneas, queimaduras solares, em crianças menores, gestantes, durante o período de lactação e na pele irritada ou com queimadura solar.

A hidroquinona se apresenta na forma de cristais aciculares (em forma de agulha), incolor ou branco de sabor adocicado e que se escure por exposição ao ar e a luz. Deve ser armazenado em recipientes hermeticamente fechados e protegidos da luz (ex. pote de vidro âmbar).

A hidroquinona se oxida com muita facilidade e é fotossensível. A hidroquinona é solúvel em 17 partes de água, 4 partes de álcool, 16 partes de éter, 51 partes de clorofórmio e em 1 parte de glicerina. Apresenta o ponto de fusão entre 172 e 174º C.

A hidroquinona é incompatível com álcalis (bases e meios alcalinos), sais férricos e agentes oxidantes. Em concentrações superiores a 3% a hidroquinona deve ser veiculada em emulsões aniônica. Portanto, em se tratando de formas emulsionadas tais como creme ou loções cremosas, as bases aniônicas tal como o creme lanette, sendo incompatíveis com bases não-iônicas.

A hidroquinona é compatível com géis aniônicos (ex. carbopol) e não-iônicos (ex. hidroxietilcelulose, hidroxipropilcelulose).

A estabilidade da hidroquinona em meio aquoso é sensível à presença de íons metálicos, concentração de oxigênio e ao pH do meio. A velocidade de oxidação da hidroquinona aumenta em pHs mais altos. A hidroquinona apresenta maior estabilidade em meio ácido, na faixa de 4,5 a 5,0.

Preparações com hidroquinona são susceptíveis à oxidação, daí a importância de se usar antioxidantes para evitar o escurecimento da formulação decorrente da oxidação da hidroquinona. Antioxidantes para sistemas aquosos tais como o bissulfito de sódio, metabissulfito de sódio, ditionito de sódio ou combinações destes com antioxidantes para sistemas oleosos tais como bissulfito de sódio + BHT, metabissulfito + BHT, vitamina C + vitamina E são normalmente utilizados em preparações contendo hidroquinona.

O uso de agentes sequestrantes tal como o EDTA-Na2 é também recomendado para a quelação eventual de íons metálicos contaminantes presentes na formulação que poderiam favorecer cataliticamente a oxidação da hidroquinona.



Abaixo relacionamos as concentrações usuais e antioxidantes mais utilizados:



Sugestão de sistemas antioxidantes para formulações com hidroquinona e associações mais comuns.

Hidroquinona

1)Metabissulfito de sódio (10% em relação a quantidade de hidroquinona) + EDTA-Na2 0,1%

2)Bissulfito de sódio 0,2 – 0,3% + BHT 0,1% + vitamina C pó 1,6%

3) Ditionito de sódio 0,6%

4)Metabissulfito de sódio (10% em relação a quantidade de hidroquinona) + vit. C 1,6% + EDTA-Na2 0,1%

5) * Metabissulfito de sódio 1% + EDTA-Na2 0,1%



Hidroquinona + ácido retinóico

1)Bissulfito de sódio 0,2 – 0,3% + BHT 0,1% + vitamina C pó 1,7%

2) Metabissulfito de sódio (10% em relação a quantidade de hidroquinona) + BHT 0,1% + EDTA-Na2

3) Metabissulfito de sódio (10% em relação a quantidade de hidroquinona) + Vitamina E (oleosa) 0,05%

4) ditionito de sódio 0,6% + BHT 0,05 – 0,1%



Hidroquinona + ácido glicólico

1) vitamina C 1,7% + vitamina E 1% + EDTA-Na2 0,1%

2) ditionito de sódio 0,6%



A aditivação de hidroquinona em bases semi-sólidas deve ser realizada com a sua trituração prévia com qs de propileno glicol, glicerina ou com dipropileno glicol até a obtençào de uma pasta fina com a incorporação subsequente.

Os agentes antioxidante poderiam ser levigados juntos com a hidroquinona ou solubilizados a parte em qs dos solventes compatíveis .

O metabissulfito de sódio , o bissulfito de sódio, ditionito de sódio o EDTA-Na2 e a vitamina C podem ser solubilizados em qs de água;

O BHT em qs de álcool e a vitamina E oleosa incorporada diretamente.



Preparações contendo hidroquinona devem preferencialmente serem acondicionadas em bisnaga de alumínio revestidas. Embalagens de plástico são normalmente permeáveis ao ar e potes de boca larga expõe indevidamente a preparação as condições atmosféricas e ao contato das mãos do usuário ao restante do produto com consequente favorecimento da degradação química e microbiológica da preparação.

É recomendável conservar as formulações magistrais com hidroquinona sob refrigeração e adotar um prazo de validade não superior a 3 meses.

* A hidroquinona de forma isolada na formulação pode ser armazenada fora da refrigeração durante 2 meses.



Referências:

1) García, Ma T.C.; Rubio, L.R.; Aliaga, J.L.V. Monografías Farmacéuticas. Colegio Oficial de Farmacéuticos de La Provincia de Alicante, 1998. p.542-543.

2) Ferreira, A.O. e colbs. Guia Prático da Farmácia Magistral. 2a edição. Juiz d eFora: editado pelo autor, 2002.

3) Souza, V.M. Ativos Dermatológicos. Vol.1. São Paulo: Tecnopress, 2003. p.57.

4) Clavijo, Ma. J. L.; Comes, V.B. Formulário Básico de Medicamentos Magistrales. Valencia: Distribuiciones El Cid, 2001.

5) Connors, K.ª; Amidon, G.L.; Stella, V.J. Chemical Stability of Pharmaceuticals. 2nd edition. New York: John Wiley & Sons, 1986.